Nahn
(abril)
I. Antiguidade
Uma palavra,
E eu serei o aedo e a musa
A compor hexâmetros
Para a odisseia dos teus sonhos
II. Alarábia
Uma palavra,
E eu serei teu beduíno brilhante
Domador dos poemas suspensos
Do teu sorriso
III. Medievo
Uma palavra,
E eu serei o trovador encantado
Bardo cantador
Da música do teu peito a dormir
IV. Século XXI
Uma palavra,
E eu serei o astronauta de olhos
verdes
Cavaleiro das tempestades cósmicas
Do teu olhar. |
Ssamt (julho) I. Antiguidade Uma palavra, E eu teria sido o aedo e a musa A compor hexâmetros Para a odisseia dos teus sonhos. … II. Alarábia Uma palavra, E eu teria sido teu beduíno brilhante Domador dos poemas suspensos Do teu sorriso … … III.Medievo Uma palavra, E eu teria sido o trovador encantado Bardo cantador Da música do teu peito a dormir … … … IV. Século XXI … e eu, astronauta de olhos verdes, cavaleiro de tempestades cósmicas, parti. |
terça-feira, 5 de agosto de 2014
ATRAVÉS DOS TEMPOS.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Maiakóvski. I. Prólogo.
A
vós compreender
por
que eu,
calmo,
rindo-me
com a tormenta
levo
num prato a alma
ao
almoço dos dias atrás.
Com
a face suja das praças
chorada
de pranto sem fim
sou,
pode
ser,
o
último poeta.
Notaram
que
bamba
pelas
alamedas de pedra
um
rosto listrado de tédio enforcado
e
que nos rios caudalosos
nos
pescoços suados
as
pontes torceram seus braços de ferro.
O
céu chora
sem
parar,
alto,
e
na nuvem,
a
careta no cantinho da boca,
como
se uma moça esperasse um bebê
e
deus lhe tacasse um tortinho idiota.
Com
dedinhos gorduchos e cabelos ruivos,
o
sol os cutuca com a insistência de uma
berne –
mira
em suas almas um escravo.
Eu,
sem medo,
elevei
a ira dos raios de sol aos séculos;
com
a alma esticada, como nervos de um fio
sou
–
o
rei das lâmpadas!
Venham
a mim
os
que quebraram o silêncio,
os
que uivaram
ao
esquivar-se dos ataques do meio-dia, –
eu
lhes revelo,
com
palavras simples como mugidos,
nossas
novas almas,
zumbindo
como
lâmpadas acesas
É
só eu tocar-lhes as cabeças com os dedos
E
lhes crescerão lábios
para
beijos gigantes
e
uma língua,
materna
a todos os povos.
E
eu, com a alma cambaleante,
me
recolho ao meu trono
esburacado
pelas estrelas no encosto gasto.
Deito,
luminoso,
vestido,
por preguiça,
na
macia cama de merda natural
e
quieto,
com
a beijante dormência dos joelhos,
me
abraça o colo a correia industrial.
terça-feira, 22 de julho de 2014
ИЗ КОСМОСА
Письмо это написано мной
- зеленоглазым космонавтом -
из космоса, тебе:
надо было сюда
взлететь
звезды в лицо
посмотреть
для того, чтобы понять
что
воздух не кончился
когда спутник в стратосферу взошел,
а тогда,
когда
ты сам от меня отошел.
март 2014г.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Cidades fantasma I. Sochi, ou, a maravilhosa polimerização do peróleo.
Sochi – depois de cansativas vinte e
cinco horas de trem saindo de Moscou, descendo até a costa do Mar de
Azov e acompanhando a foz das montanhas do Cáucaso, – Sochi.
Sochi é a cidade dos
fantasmas-em-crisálidas. Crisálidas-prédios, crisálidas-tratores,
crisálidas-gigantescas estações de trem. Crisálidas que brotam da
terra, do ferro e do petróleo num parto que geme sons de britadeiras
e escavadoras. Crisálidas que, ao entardecer, transparecem os raios
do sol morno de abril à espera de serem habitadas pelos fantasmas do
futuro: nuvens de gafanhotos-espectros-turistas, devoradores da vida
humana local. Pobre Maiakóvski, jamais imaginou.
Nota. Pela primeira vez na vida, vi um
bebê com ódio. Deitava sangue pelos olhos ao olhar para a própria
mãe.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Hikmet. I. 24.IX.1945
Mar melhor,
é o qu'inda não nadei
Filho melhor,
é o qu'inda não cresceu
Dia melhor,
é o qu'inda não nasceu,
Palavras mais lindas
são as qu'inda te direi.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
PASTERNAK. II.
Pegar a charrete!
Por seis moedas,
Barreiras,
rodas e quebranto,
Mudar-se para lá,
onde o dilúvio
É mais forte que
tinta e pranto
terça-feira, 25 de março de 2014
PASTERNAK. I.
Fevereiro. Abre o tinteiro – e chora
Passar por fevereiro assim:
Enquanto jorra a chuva fora
Negro queima o outono-jasmim
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